Zona da Mata: Operação desmantela esquema bilionário de sonegação na produção de café

Operação “Expresso” desmantela esquema bilionário de sonegação no Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Na região, as cidades de Muriaé, Miraí, Divino e Manhuaçu são alvos das ações.

Segundo a Receita Federal, esta é a maior operação de combate a fraudes tributárias do setor de café já realizada nos quatro estados e foi identificado que envolvidos devem mais de R$ 1 bilhão em impostos estaduais e federais.

Os trabalhos são realizados pela Receita Federal, Polícia Civil do Paraná, Receitas Estaduais do Paraná e Minas Gerais, além da Receita Estadual do Estado de São Paulo, dos Ministérios Públicos do Paraná e Minas Gerais.

Mais de 800 servidores cumprem 220 mandados judiciais, sendo 35 de prisão temporária, 124 de busca e apreensão e 61 de sequestro de bens, nos estados do Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. A ação mira envolvidos em esquema bilionário de sonegação fiscal no ramo de comercialização de café em grão, bem como crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Na região, o maior número de ações ocorre em Manhuaçu, com 11 mandados de busca e apreensão e oito sequestros de bens.

De acordo com a força-tarefa, atacadistas e corretores de café de Londrina e região possibilitavam a diversas torrefações do Paraná a aquisição do café em grão cru de duas formas. A primeira, destinando o produto juntamente com créditos fraudulentos de ICMS advindos de notas fiscais falsas; a segunda, na aquisição do café em operações fraudulentas (dentro do Paraná), em que o recolhimento dos tributos não era feito.

A mercadoria vinha de Minas Gerais e Espírito Santo, comercializada por cooperativas e produtores rurais desses estados, sendo as notas fiscais destinadas a empresas de fachada, as chamadas “noteiras”, localizadas nos dois estados.

As operações possibilitavam o não recolhimento do ICMS sobre as notas fiscais falsas. Paralelamente, outra empresa “noteira”, de São Paulo, emitia notas fiscais falsas destinadas a atacadistas e torrefações do Paraná.


Segundo a Receita, o valor sonegado poderia ser usado para comprar mais de 17 milhões e 240 mil doses de vacinas contra a Covid19, ou implantar mais de 5.540 novos leitos de unidades de terapia intensiva em hospitais.