Escritor e compositor Aldir Blanc morre vítima de coronavírus

O compositor e escritor Aldir Blanc morreu, aos 73 anos, na madrugada desta segunda-feira, 4, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio.

Ele estava com covid-19 e seu quadro de saúde era considerado grave.

O artista foi internado no dia 10 de abril, com sintomas de infecção urinária e pneumonia, e uma de suas filhas, Isabel, chegou a pedir doações para possibilitar a transferência e tratamento do artista, então no CTI do CER do Leblon.

Aldir Blanc – Dois pra lá dois pra cá 

As primeiras informações descartavam a possibilidade, mas novos exames mostraram suspeita de coronavírus e o compositor foi submetido ao teste específico de covid-19, que se revelou positivo.

O exame foi realizado pelo Laboratório Central Noel Nutels, da rede estadual.

Aldir Blanc é autor ou coautor de diversas canções fundamentais da música popular brasileira, como O Bêbado e a Equilibrista, Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, De Frente Pro Crime e Caça à Raposa, além de outras quatro centenas de letras e composições, e uma também de uma extensa obra como cronista.

O Bêbado e a Equilibrista na voz de Elis Regina

Carreira

por wikipedia

Em 1966, Aldir Blanc ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em Psiquiatria. Em 1973, abandonou a Medicina, passando a se dedicar exclusivamente à música.

Notabilizou-se como letrista a partir das parcerias com João Bosco, compondo músicas como “Bala com Bala” (sucesso na voz de Elis Regina), “O Mestre-Sala dos Mares”, “De Frente Pro Crime” (sucesso na voz de Simone) e “Caça à Raposa”.

Bala com Bala (João Bosco/Aldir Blanc). Elis Regina – 1972

Uma das canções mais conhecidas, em parceria com João Bosco, é “O Bêbado e a Equilibrista”, lançada em 1979, que se tornou um hino contra a ditadura militar, também tendo sido gravada por Elis Regina. Em um de seus versos, “sonha com a volta do irmão do Henfil”, faz-se referência ao cartunista Henrique de Sousa Filho, o qual na época tinha um irmão, o sociólogo Betinho, em exílio político no exterior.

Em 1968, compôs com Sílvio da Silva Júnior “A noite, a maré e o amor”, música classificada no III Festival Internacional da Canção (TV Globo).

“A noite, a maré e o amor” no III Festival Internacional da Canção (TV Globo)

No ano seguinte, classificou mais três canções no II Festival Universitário da Música Popular Brasileira: “De esquina em esquina” (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes; “Nada sei de eterno” (com Sílvio da Silva Júnior), defendida por Taiguara; e “Mirante” (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza.

Em 1970, no V Festival Internacional da Canção classificou-se com a composição “Diva” (com César Costa Filho). Neste mesmo ano, despontou o primeiro grande sucesso, “Amigo é pra essas coisas” em parceria com Sílvio da Silva Júnior, interpretado pelo grupo MPB-4, com o qual participou do “III Festival Universitário de Música Popular Brasileira”.

A canção “Nação” (com João Bosco e Paulo Emílio) foi gravada em 1982 no disco de mesmo nome e foi um grande sucesso na voz de Clara Nunes.

Blanc também é autor, com Cleberson Horsth, da canção “A Viagem”, sucesso gravado pela banda Roupa Nova e tema da novela com o mesmo nome, sucesso em 1994.